Quem sou eu

Minha foto
Pinhal Novo, Palmela- Setubal, Portugal
Pastora Auxiliar na COMUNIDADE CRISTÃ JESUS CRISTO É O SENHOR,discipula, serva, filha legitima por DNA do Senhor Jesus Cristo. Mae, esposa,filha, profissional.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Obra de arte - Almorol - Região Norte de Portugal

Autoria: Isa Garrido

Querido Diário - II

13 de março


Querido Diário hoje foi um dia normal, para minha vida, acordei as 06:30 da manhã com o despertador matutino: os gritos do meu pai, hoje era por causa do meu Dado, ele também não se falam, o pai diz que como o Dado não fala com a mãe e o pai também não tem o direito de entrar em casa, apesar de que ele raramente entra aqui em casa, faz isso apenas quando vem buscar-me, sempre que ele vem ver-me, aliás ver-nos, ele também vem aqui para ver minha mãe, apesar dele não falar com ela, ele ama-a muito e se preocupa com ela,  e ela sabe disso. 


Ele vem ver-nos todo mês e liga-me toda semana, geralmente no final do mês quando recebe o ordenado, ele sempre dá-me dinheiro para minhas coisas, roupas, coisinhas da escola, enfim, mas ele sempre pergunta se eu comprei uma prendinha para a mãe. Geralmente antes dele perguntar eu digo que comprei uma roupa, um sapato, ou levantei uma receita para ela, esse tipo de coisa. 


Bem, fique tranquilo, não vou falar só do meu Dado, acho que falo muito dele porque não tenho mesmo nada para falar sobre mim. Alias vou falar de mim em três linhas: sou gorda, loira, tenho sardas, borbulhas na cara, sou tímida, tenho apenas uma amiga, nunca tive namorado, nem sei se vou ter, tenho uma família desestruturada, e tenho muitos pelos nas pernas. Então, o que mais quer saber? É só isso e mais nada, ah! Tenho algo muito positivo: sou muito inteligente.


Bem, mas então vamos falar da Clarinha, Ana Clara é minha melhor amiga, mas é uma amiga secreta, não é amiga oculta, não a inventei, ela existe de verdade, é secreta porque o pai não gosta dela e nem da família dela porque eles são negros e o pai é militar, ele odeia militares por causa do meu Dado, desconfio que não tem nada a ver com a cor, acho que é mesmo por ser militar, e porque foi ele, o pai da Clarinha que ajuda todos os anos o meu Dado a fazer a minha matricula, e é por isso que o pai chama ele de  “preto de merda” é claro que nunca disse isso a Clarinha, mas nunca a convidei para ir em casa, aliás, nunca vai ninguém a minha casa.


E mesmo se pudesse não convidaria ninguém, primeiro porque a minha casa é um pardieiro, a minha mãe chega do trabalho durante a tarde deita e só levanta  na hora do jantar, faz qualquer coisa que não sei bem o que é eu como calada e vou para meu quarto, o pai ainda discute e chama-a de nomes, não me intrometo.


O pai, tem uma oficina de carros e passa o dia por lá, não trabalha muito, passa a maior parte do tempo nos cafés a beber e fumar, outras coisitas, enquanto está em casa são só gritos e palavrões e praguejes e enfim, não merece a pena dizer. Resumindo e concluindo eu convivo com dois estranhos.

Não lembro-me nunca de ter tido uma conversa com o pai, também ele não se interessa em ter conversas comigo. Não gosto dele e ele não gosta de mim, a única conversa que tivemos alguma vez na vida foi quando minha mãe ficou internada e ficamos os dois sozinhos, e ele estava muito bêbado e disse-me uma coisas nojentas, que não tenho coragem de repetir, nunca contei isso a ninguém, sei que se contasse ao meu Dado ele o mataria e a ultima coisa que quero na vida e destruir a vida dele, antes a minha.


Depois disso tomei tanto nojo dele que sei que nunca conseguirei olhar dentro dos olhos dele, muitas vezes imagino ele dentro do caixão, morto, bem morto, em estado de putrefacção é assim que sinto-me em paz em relação a ele. Sei que isto é sinistro, mas é o que sinto, quero que você saiba tudo sobre mim e o que sinto em relação a ele e isso.


A minha mãe? Não posso dizer que amo-a, estaria mentindo, mas não a odeio, como odeio ele, eu tenho pena dela, por ser uma fraca, dependente, estúpida, doente mental, quando ela escolheu ele, abriu mão de mim e do Dado, eu não tive opção de ir, mas e como se eu não vivesse aqui, eu fui-me embora no dia em que meu Dado partiu, eu estou em corpo aqui, mas minha mente está lá no gabinete do meu Dado. Só falta um ano. Ano que vem numa época dessa vou estar saindo dessa casa para nunca mais voltar.


Ah! Pois deixe-me contar-te, eu vou para a escola preparatória das Forças Aéreas, lá é em regime de internato e é aonde meu Dado mora, vou morar com ele, finalmente vou estar ao pé dele, estou contando os dias, os meses, as horas, vai ser o primeiro dia do resto da minha vida.

Bem, tenho que ir dormir, amanhã tenho uma novidade, vou a um piquenique com a Clarinha, meus pais acham que estou na escola, eles não se interessam aonde eu estou, desde que chegue as horas. Vamos eu  a Clarinha a irmã mais velha da Clarinha, o namorado da irmã e o irmão do namorado, percebeu? Não importa.

Beijinhos e ate amanhã
Caquinha

Fico assim sem você

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola,
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim
Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu assim sem você
Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Querido Diário - I



12 de Março

Querido diário hoje fiquei a conhecer-te, foi a melhor prenda de aniversario de sempre, fiz 15 anos,  aliás, foi a única prenda que ganhei, foi meu irmão Dado que mo deu, ah! Pois, tu não sabes quem é o Dado,  pois bem, é meu grande  “amor” é o irmão mais velho tem 30 anos e é militar, está na tropa e é um dos chefões, ele é lindo!  Ponho uma foto dele para tu veres. Amo-o de paixão, ele é meu amigo, confidente, pai, irmão, tudo de bom, ele chama-me de  Caquinha, agora nem me pergunte porquê ele chama-me assim, a propósito, meu nome é Jessica, está bem, vou dizer porque desse nome, foi ele quem praticamente cuidou de mim quando era criança, ainda lembro-me dele dar-me banho, vestir-me, pentear meus cabelos, éramos só nos os dois, minha mãe trabalhava fora e era ele quem cuidava de mim.

Minha mãe conta que todas as vezes que eu fazia coco ele dizia: anda cá minha caquinha, e então um dia alguém perguntou o meu nome e eu disse caquinha, devia ter ai dois anos, e então desde de sempre ele chama-me de minha Caquinha, mas eu amo ouvi-lo chamar-me assim.
O Dado chegou ontem a noite, não esperava-o, pois no sábado ele telefonou-me, alias ele liga-me todos os sábados, mas fala apenas comigo, essa é outra historia…Ai tanta coisa para contar-te. Ele não fala com a minha mãe há muitos anos, alias desde que saiu de casa definitivamente, isso há quase 8 anos. A minha vida é um turbilhão, mas vamos ter tempo e vou contar-te tudo. Mas primeiro, deixe-me ver, o que conto primeiro, preciso ordenar as ideias, estou eufórica.

Pois bem, primeiro vou contar-te do Dado, Eduardo, meu Dado. Minha mãe e meu pai separaram-se quando eu era ainda bebezinha, não, vamos recomeçar de novo. Quando a minha mãe tinha a minha idade, meu pai, que era patrão da minha avó engravidou a minha mãe, daí nasceu o Dado. Na época foi a maior confusão, meu pai era casado, tinha família, etc, etc, e tal, minha avo então pegou na minha mãe e no Dado e foram embora para o interior, passado um tempo meu pai apareceu pegou na minha mãe e no Dado e voltou para capital, pois nesse meio tempo ele tinha deixado a família e agora queria formar família com a minha mãe.

Foi então que nasceram o Tiago de 24 anos o Marcelo de  20 anos,  não tenho convivência com eles, pois vivem  com meus avós paternos.  O meu pai é um cão, desculpe dizer isso, mas é verdade, ele é horrível, ele é mau, violento, alcoólatra e depravado.

Quando minha mãe engravidou de mim, ela ficou muito doente, porque meu pai batia muito nela, e nos meus irmãos, então meus avós vendo a situação das crianças foi ao tribunal, mas quando o juiz perguntou ao Dado com quem ele queria ficar ele disse que ficaria com minha mãe, pois ai ele já tinha quase 12 anos e já entendia o que minha mãe passava, e resolveu ficar com ela para tentar ajuda-la, uma vez que eu já estava quase a nascer. Meus dois irmãos foram embora e ficaram só nós os dois.

O que aconteceu a seguir foi horrível, minha mãe trabalhava feito criada, meu pai pegava-lhe todo o dinheiro e ainda batia-lhe quando não era suficiente para a bebida e as putas, é mesmo assim.  Quando o Dado fez 15 anos o pai tirou-o da escola, mas o Dado no dia seguinte pegou a mala e foi para a escola, o pai foi na escola e tirou-o de lá como um bicho, meu irmão reagiu e o pai bateu-lhe tanto a ponto de partir-lhe um braço, a polícia chegou, levou o pai, deu uma ordem para ele manter a distância da nossa família, e vivemos felizes até 8 anos atrás.

Meu Dado foi para a tropa aos 18 anos e seguiu carreira por um único motivo, para eu estudar na escola militar, ele dizia que nunca iria permitir que um homem fizesse comigo o que o pai fizera a nossa mãe. Pois bem, tudo parecia muito bem, eu tinha uma mãe amargurada, que passava dias dopada com anti depressivos, mas quando estava bem, era uma mãe excepcional, tinha um irmão-pai, que fazia tudo por mim, estava feliz.

Então um dia quando o Dado veio para casa no final de semana, minha mãe disse-lhe que estava a namorar alguém, o Dado não ficou lá muito satisfeito, nos os três já tínhamos passado uns bons bocados na companhia de um homem, mas disse a mãe que a decisão era dela. E não falaram mais nesse assunto, no final de semana seguinte a mãe ligou ao Dado e  disse que teríamos visitas para o jantar de domingo.

Lembro-me desse episódio como se fosse ontem, não sei porque, mas e tão vivido, que chega doer. Lembro do rosto do Dado e da expressão quando a minha mãe diz para a visita entrar, e quando olhamos curiosos nossos corações quase salta da boca quando vimos que o namorado da minha mãe era o nosso pai.

O Dado não titubeou levantou-se chegou ao pé da minha mãe e disse a ela que escolhesse mesmo naquele momento o filho ou o nosso pai. A nossa mãe olhou dentro dos olhos do Dado e disse que escolhia o meu pai, ele nunca mais falou com a minha mãe, ele ainda tentou tirar-me da minha mãe, mas infelizmente não conseguiu, e por este pedaço de história que já lhe contei da para deduzir como é minha vida.

Querido Diário bem-vindo ao manual de: como Sobreviver no Inferno.
Beijinhos, já são quase meia-noite, já não consigo escrever mais a luz do telemóvel.

Caquinha

terça-feira, 9 de agosto de 2011

VALSINHA

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz
Chico Buarque - o poeta maior

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pedaço de Mim


Você chegou, imperceptível, silenciosamente invisível,
Aconchegou-se em mim,
Alimentou-se de mim
Nutriu-se do meu sorriso e do meu gozo...

Você chegou e encheu a minha vida de SEI LA O QUE...
Um misto de medo e contentamento...
Metade de bem-querer, metade de não- sei- porquê
Você chegou...

Nem se quer avisou...
Apenas chegou e ficou, silencioso, não disse nada,
Mergulhado no silencio do meu ser tu crescias
Semente de mim, a germinar, absorvendo cada gota do meu existir...

Pedaço de mim, metade de mim, és tu...
Amo-te
Mesmo sem ver-te
Sem tocar-te
sem ouvir-te


ÉS O MAIOR PRESENTE DA NATUREZA!
By my baby - 02/ago/2011 - 11:35 manhã

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Eu sou... Não...


Não sei quem sou, pois o que dizem que sou não condizem com aquilo que o espelho reflecte...
Não sei para onde vou, não quero voltar de onde vim, pois sei que caminhar dói e as pedras espancam-me os pés e os estilhaços do tempo violam-me a alma.

Não quero voltar, pois a volta é dolorosa, mas continuar machuca, ficar sufoca-me... Quero asas, quero o vento aos meus pés, quero subir acima de tudo: dos meus erros, crimes e pecados acima do sentir ouvir do falar.

Quero esquecer de quem não sou, de onde vim e para onde não vou. Quero esquecer de mim e da estranha do espelho. Quero ser céu sem nuvens escuras, quero ser vento sem tempestades, quero ser águia em seu voo livre, quero os pés como os da corsa...

FAÇA-ME ANDAR EM LUGARES ALTOS...